Departamento de atendimento especial da loja-modelo da Gucci, em Milão,
onde acontece a personalização: serviço deve ser expandido a outros
países (Foto: Divulgação)
Entre as notícias mais interessantes da moda nos últimos meses está a estreia do Gucci DIY (do it yourself),
serviço de customização de roupas e acessórios lançado pela grife
italiana durante os desfiles masculinos de Milão, em junho passado.
A
ideia é transformar o produto escolhido pelo cliente em algo
ultrapessoal, com uma espécie de impressão digital intransferível. Essa é
a segunda fase do projeto, que havia começado um mês antes, quando
apenas a bolsa Dionysus, com seu inconfundível fecho de cabeça
dupla de tigre, passou a ganhar, ao gosto do freguês, aplicações de
exóticos adesivos, miçangas e cristais.
Já com planos de ampla
expansão global, o departamento de atendimento especial da loja-modelo
de Milão, na Via Montenapoleone, oferece ao cliente uma linha de
alfaiataria unissex - jaquetas, smokings, casacos, camisas e calças -,
além do tênis de couro Ace e de outros modelos de sapatos, todos customizáveis.
O serviço de DIY da Gucci, lançado em junho em Milão, oferece uma ampla
variedade de tecidos, patches e botões que podem customizar de jaquetas a
acessórios, como a bolsa Dionysus (Foto: Divulgação)
Apesar de várias marcas já oferecerem maneiras de personalizar seus
produtos - principalmente calçados e bolsas -, a aposta da Gucci é
ousada e inovadora na indústria do luxo, por levar o conceito para outro
patamar. Além de sugerir certa democracia criativa, para ser exercida
individualmente ou por tribos, o projeto sintetiza o pensamento do
diretor artístico Alessandro Michele e seu desejo de estimular a liberdade de autoexpressão dos clientes da casa.
Agora, as roupas oferecidas no novo serviço podem ser adaptadas, com diferentes tecidos, botões e forros de foulard de
seda, valorizando a habilidade da alfaiataria da Gucci. E como se sabe
que Michele planeja, a partir de 2017, desfilar coleções femininas e
masculinas juntas, não parece surpreendente que diversas peças sujeitas a
aplicações, tachas, bordados e mil coisas mais sejam propositalmente unissex, como bombers de seda e jaquetas de denim.
Ao eclodir junto com o movimento punk nos anos 70, o do it yourself era
um ato de transgressão. Acima, a icônica jaqueta Anarchy, criada em 1976
por Vivienne Westwood e Malcolm McLaren, responsáveis pela imagem da
banda Sex Pistols (Foto: Getty Images, Divulgação e Reprodução)
Em Paris, ao visitar o Le Bon Marché (do grupo LVMH) e em Nova York, a multimarcas Opening Ceremony, da dupla Carol Lim e Humberto Leon - também responsável pelo estilo da grife francesa Kenzo
Além disso, a customização também ajuda a atingir os clientes mais
jovens e imprevisíveis, que as marcas luxuosas têm dificuldade em
seduzir - os famosos millennials, de crescente poder de consumo.
http://vogue.globo.com/moda/moda-tendencias/noticia/2016/09/luxo-diy-grifes-apostam-em-servicos-sofisticados-de-customizacao.html